Imagina abrir um aplicativo e pedir “reserva minha viagem pro Rio no fim de semana” — sem preencher formulário nenhum, sem comparar site por site. É essa a promessa do Muse, o novo agente de inteligência artificial da Meta.
Lançado em 8 de setembro, só duas semanas depois de a empresa fechar um acordo de US$ 18 bilhões num processo sobre danos causados por suas redes sociais, o Muse chega prometendo resolver tarefas do dia a dia sozinho.
Mas antes de conectar sua conta de email, seu calendário e seus dados de pagamento a um agente de IA da Meta, vale entender o que ele realmente faz — e o histórico da empresa com privacidade.
O que o Muse faz na prática
O agente consegue executar tarefas como enviar emails, reservar viagens, negociar e reduzir contas, preencher formulários, montar planos, transformar receitas de cozinha em lista de compras, enviar convites e até fazer compras diretamente.
Pra isso, ele precisa se conectar a serviços sensíveis: email, calendário, pagamentos, dados de saúde e até dispositivos de casa inteligente. Quanto mais acesso você libera, mais tarefas ele consegue resolver sozinho.
Onde o Muse está disponível
O assistente já roda na web (muse.ai), em apps para iOS e Android, e dentro do WhatsApp — canal que a Meta domina no Brasil. A empresa também prometeu levar o Muse para os óculos inteligentes da marca no futuro.
O uso básico é gratuito, mas existem dois planos pagos: Power, por US$ 20 por mês, e Maximum, por US$ 100 por mês, com mais capacidade e prioridade de resposta.
O problema de confiança que a Meta carrega
A empresa afirma que o Muse roda numa “Muse Secure VM”, uma máquina virtual dedicada que mantém os dados separados dos sistemas de publicidade da Meta — uma tentativa de responder à desconfiança natural do público.
Essa desconfiança não é gratuita: a Meta já foi multada pela FTC em 2011 por enganar usuários sobre privacidade, pagou US$ 5 bilhões em multa por violações de privacidade em 2019, e foi acusada de violar uma ordem judicial de privacidade anterior em 2023 — sem contar o escândalo da Cambridge Analytica.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Plataformas | Web, iOS, Android, WhatsApp |
| Plano Power | US$ 20/mês |
| Plano Maximum | US$ 100/mês |
| Infraestrutura | Muse Secure VM (isolada da publicidade) |
Conclusão
O Muse mostra até onde os agentes de IA já chegaram: eles não respondem só perguntas, executam tarefas reais com dinheiro e dados sensíveis envolvidos. A pergunta que fica é se a Meta já reconquistou confiança suficiente pra isso.
Se você quer entender como outra gigante lidou com um plano parecido de automação, veja nosso artigo sobre o plano cancelado da Meta de trocar times por agentes de IA.
