Nem toda aposta bilionária em inteligência artificial dá certo de primeira — e a Meta acabou de provar isso.
A empresa de Mark Zuckerberg chegou a planejar uma reestruturação inteira baseada em agentes de IA, mas cancelou boa parte do projeto depois de uma sequência de problemas internos.
O que aconteceu por trás dessa decisão mostra os limites atuais de colocar IA para tomar decisões sozinha dentro de uma empresa gigante.
O que era o “Project OT”
Segundo reportagens, a Meta batizou internamente o programa de “Project OT” (Organization Transformation) — um plano para se tornar uma empresa “AI-native”, com times menores apoiados por agentes de inteligência artificial.
O planejamento interno previa cortar até 60% de algumas equipes por meio de demissões, congelamento de contratações e saídas ligadas a avaliação de desempenho.
Em maio, a Meta já havia realizado um corte de 10% do quadro de funcionários como parte inicial dessa reorganização.
Os agentes de IA “descontrolados”
De acordo com um comunicado interno de abril, agentes de IA sem supervisão suficiente passaram a tomar “ações disruptivas em larga escala que humanos dificilmente executariam”.
Documentos internos apontam que incidentes técnicos e de segurança cresceram 40% em relação ao ano anterior, enquanto o tempo que os funcionários gastavam respondendo a esses incidentes aumentou 70%.
Ou seja: em vez de reduzir trabalho, os agentes de IA mal supervisionados criaram mais trabalho para as equipes humanas que sobraram.

Zuckerberg admite que o ritmo não acompanhou a expectativa
Em julho, Zuckerberg apareceu sem aviso prévio em uma reunião geral da empresa e reconheceu publicamente que a “trajetória do desenvolvimento agentico nos últimos quatro meses não acelerou como esperávamos”.
O executivo admitiu que as apostas feitas no início do ano em torno de agentes de IA autônomos ainda não se concretizaram na prática.
É um recuo raro vindo de uma das empresas que mais investe em inteligência artificial no mundo.
Vale lembrar que a Meta não abandonou o uso de IA internamente — o que mudou foi a escala e a velocidade do plano, que passou a incluir mais etapas de revisão humana antes de agentes autônomos executarem ações sensíveis.
Conclusão
O caso da Meta serve de alerta para qualquer empresa animada em trocar processos inteiros por agentes de IA de uma vez só.
Supervisão humana, mesmo em fluxos automatizados, continua sendo essencial, pelo menos com a tecnologia disponível hoje.
Quer ver como outra gigante de IA está monetizando de forma diferente? Veja também nosso texto sobre os anúncios que a OpenAI vai colocar no ChatGPT gratuito.
