Rodar inteligência artificial em larga escala consome uma quantidade absurda de energia — e a corrida para dar conta dessa demanda está criando um efeito colateral que ninguém fala muito alto: a poluição do ar.
Elon Musk confirmou que a SpaceX está construindo, na cidade de Bastrop, no Texas, uma fundição própria para fabricar turbinas a gás. O objetivo é acelerar a energia necessária para alimentar os data centers de IA da xAI, empresa de Musk.
Neste artigo, você entende por que essa decisão é tão significativa e quais são os riscos já documentados para a saúde da população ao redor.
Por que a SpaceX vai fabricar suas próprias turbinas
Entre março e junho de 2026, a SpaceX comprou cerca de 830 acres de terra em Bastrop para construir a fundição. A ideia é produzir internamente as lâminas das turbinas, peças que operam em temperaturas entre 3.000°F e 3.600°F — cerca de 800°F acima do ponto de fusão do metal usado nelas.
Hoje, apenas quatro empresas no mundo dominam esse processo de fundição, o que cria um gargalo gigante para quem precisa de energia rápido. Segundo a SpaceX, produzir as próprias turbinas pode encurtar o prazo de instalação em até 18 meses.
Um gargalo que vem de antes da IA
O aperto na oferta de turbinas não é exclusividade da xAI. A gigante GE Vernova, uma das principais fabricantes do mundo, está com a capacidade praticamente esgotada até 2030, incapaz de atender à explosão de pedidos vinda das empresas de tecnologia.
É esse cenário que empurra empresas como a SpaceX a resolver o problema “por conta própria”, verticalizando até a produção de energia — algo impensável há poucos anos para uma empresa de tecnologia.
Os riscos de saúde já documentados
O uso intensivo de turbinas a gás para alimentar data centers já tem histórico em outras cidades, como Memphis, onde a xAI opera desde 2024, e na região conhecida como “Data Center Alley”, na Virgínia.
Um estudo feito na Virgínia estimou entre 3,4 e 6,5 mortes prematuras adicionais por ano associadas à poluição gerada por essas turbinas, além de custos de saúde entre 53 milhões e 99 milhões de dólares anuais. As turbinas emitem compostos formadores de smog e substâncias como o formaldeído, considerado perigoso à saúde.
Conclusão
A corrida por energia para alimentar a inteligência artificial está reescrevendo as regras do setor energético — e trazendo junto um debate ambiental que só deve crescer nos próximos anos.
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